Escola de Todos

Select This

Select solutions you want to learn more about and connect to the appropriate solution provider.

O projeto de cooperação bilateral Escola de Todos visa fortalecer o sistema de ensino de Cabo Verde em relação à inclusão, com a formação de professores para o atendimento dos alunos com deficiências e necessidades educacionais especiais (NEE), o desenvolvimento de documentos de suporte para a elaboração de uma política nacional de educação inclusiva e o provimento de espaços especializados para a realização de atividades educativas complementares com essas crianças. Implementada pelos ministérios da educação brasileiro e cabo-verdiano em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, Brasil), a iniciativa busca oferecer às crianças e aos jovens com NEE educação com a mesma qualidade daquela prestada aos demais alunos do país.

Quality Education , Reduced Inequalities

A UNESCO tem fomentado enquanto meta internacional o provimento de acesso a educação de qualidade a todas as pessoas, independentemente de fatores tais como gênero, etnia e deficiência. Embora não haja dados precisos, a UNESCO estima que 5% das crianças no mundo apresentam alguma deficiência, sendo que cerca de 80% destas vivem em países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, as crianças com necessidades educacionais especiais (tais como deficiência intelectual, visual ou surdez) têm menores chances de concluir o ensino básico. Tal fato tem repercussões individuais e coletivas negativas, em especial a exclusão social e a alimentação de um círculo vicioso em torno da pobreza. Faz-se então necessária uma educação inclusiva que promova uma maior autonomia das crianças com deficiências, com sua integração nos sistemas escolares tradicionais. Essa orientação requer recursos adicionais, tanto em termos de professores com formação especializada como de acesso a materiais didáticos adaptados. Seguindo a perspectiva defendida pela UNESCO, Cabo Verde tem desenvolvido iniciativas no tocante à educação especial inclusiva, nomeadamente a elaboração de planos específicos nos quais se insere a formação dos professores em matéria das NEE. De acordo com o censo de 2000, 3% da população residente em Cabo Verde apresenta algum tipo de deficiência, e levantamentos de 2001 e 2002 identificaram cerca de mil crianças com NEE matriculadas nas escolas do país (sendo deficiência visual e surdez os casos mais frequentes). No entanto, o número de professores e técnicos capacitados para lidar com esse público era então bastante insuficiente para atender a demanda.

O projeto Escola de Todos tem por objetivo apoiar o sistema de ensino cabo-verdiano no desenvolvimento e na oferta da educação inclusiva em suas várias interfaces. Numa primeira fase (2006- 2007), foram capacitados professores multiplicadores em três áreas: sistema Braille e código matemático unificado; orientação e mobilidade (destinados a alunos com deficiência visual); e ensino da língua portuguesa para surdos, com o provimento de material didático e kits pedagógicos especializados. Numa segunda fase, mais abrangente, iniciada em 2008, o projeto vem desenvolvendo atividades em três vertentes principais:

(1) Realização de um curso de formação de professores (250 horas) para o atendimento educacional especializado complementar à escolarização, contemplando 11 módulos: Educação a distância; Atendimento educacional especializado; Tecnologia assistiva; Deficiência física; Deficiência intelectual; Deficiência visual; Surdez; Autismo; Altas habilidades/superdotação; Avaliação pedagógica do aluno com deficiência; e Adaptação curricular. Dois terços dos módulos foram realizados a distância (ambiente virtual de aprendizagem) e o restante por meio de aulas presenciais (tanto em Cabo Verde como no Brasil).

(2) Desenvolvimento de diretrizes para políticas públicas em educação inclusiva e tecnologia assistiva, com vistas ao fortalecimento do processo de inclusão dos alunos com NEE nas escolas regulares. Nesse âmbito, foram realizados vários estudos em Cabo Verde que resultaram em documentos e atividades para orientar a elaboração de uma política nacional de educação inclusiva, dos quais se destacam as ações relacionadas com a língua gestual cabo-verdiana. Por exemplo, foram incluídos o registro dos sinais utilizados pelos deficientes auditivos nas diferentes ilhas do país, a elaboração de um dicionário de sinais em crioulo (em formatos impresso e digital) e a oferta de cursos de língua gestual e de formação de intérpretes. Desta vertente resultou em 2012 um livro no qual é descrita parte das atividades realizadas no projeto até então.

(3) Implantação de três salas de recursos multifuncionais para a realização do atendimento educacional especializado, a fim de atender os alunos com NEE. O governo cabo-verdiano disponibilizou salas em escolas nas ilhas de Santo Antão, Santiago e Fogo, que foram reformadas e equipadas com o apoio do governo brasileiro, servindo de referência em acessibilidade para alunos com deficiências. O país passa assim a dispor de nove salas de recursos multifuncionais. Esta vertente também abarcou a capacitação de professores e alunos para a atuação prática nas salas de recursos multifuncionais, através de um curso presencial com utilização dos materiais disponíveis nas salas.

No total, cerca de 300 professores dos ensinos básico e secundário de Cabo Verde já foram abrangidos pelo programa, além de 50 professores capacitados em atendimento educacional especializado, 40 professores multiplicadores em transcrição e adaptação de material em Braille, e 4 professores multiplicadores em surdocegueira e tecnologia assistiva.

O projeto Escola de Todos, num formato similar, foi também desenvolvido em Angola entre 2008 e 2015, com o apoio do Ministério da Educação brasileiro.

Cape Verde

Agência Brasileira de Cooperação (ABC)

Pelo lado brasileiro: Ministério da Educação e UFSM , Pelo lado cabo-verdiano: Ministério da Educação, Direção-Geral de Ensino Básico e Secundário

Our Partners